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Menino encostado em uma parede com marcas de medidas de altura, simbolizando o acompanhamento do crescimento infantil.

Meu filho não está crescendo como os colegas: quando se preocupar?



Como endocrinologista pediátrica, recebo com frequência pais preocupados com o ritmo de crescimento dos seus filhos. Comparações com coleguinhas da escola ou irmãos mais velhos são comuns, mas é importante lembrar que cada criança tem seu próprio tempo. Ainda assim, existem situações que merecem uma avaliação mais detalhada.

O crescimento infantil é influenciado por inúmeros fatores, como genética, alimentação, sono de qualidade, saúde emocional e condições clínicas associadas. Quando uma criança apresenta estatura muito abaixo da média para sua idade, ou quando há desaceleração do crescimento em relação ao esperado, é sinal de que precisamos investigar com mais cuidado.

Entre os sinais de alerta estão:

  • Altura abaixo do percentil 3 na curva de crescimento;
  • Crescimento menos do que 4 cm ao ano após os 4 anos de idade;
  • Alterações corporais desproporcionais;
  • História familiar de baixa estatura ou doenças endócrinas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, aproximadamente 2% das crianças apresentam baixa estatura significativa. Muitas vezes, essa condição é tratável — especialmente se identificada precocemente. Por isso, valorizamos tanto o acompanhamento pediátrico regular.

Durante a avaliação, analiso o histórico clínico e familiar, faço o exame físico completo e solicito, quando necessário, exames laboratoriais e de imagem como a idade óssea. Investigamos causas como atraso constitucional, distúrbios hormonais (como deficiência de GH), doenças sistêmicas e síndromes genéticas.

Esse processo é conduzido com atenção e empatia. Acredito que um atendimento humanizado é essencial para que a criança se sinta segura e para que os pais se sintam acolhidos. Minha formação sólida em endocrinologia pediátrica me permite aplicar os conhecimentos mais atualizados com responsabilidade e leveza. Cada consulta é viva, adaptada à história e aos sentimentos daquela família. E a comunicação clara é o fio condutor que nos conecta durante todo o cuidado.

Quando indicado, o tratamento com hormônio do crescimento pode promover grandes avanços no desenvolvimento da criança. Mas mais importante do que o centímetro a mais na régua, é garantir que ela cresça com saúde, autoestima e bem-estar. O crescimento é mais do que uma medida: é um indicador da saúde como um todo.